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Cabotagem, o paradigma da adaptação ao modal

Se for válida a afirmação que no transporte rodoviário o transportador se adapta às exigências do embarcador, o mesmo não pode ser dito do transporte conteinerizado de cabotagem.

E por que isso?

O transporte rodoviário tem a característica de maior flexibilidade e dinamismo. A concorrência se dá entre um grande número de transportadores.

Já a cabotagem requer um maior planejamento. A frequência de suas escalas são,  via de regra, semanais nos portos de escolha.  Há uma série de processos a serem cumpridos, seja por parte do embarcador, seja  do armador e do terminal portuário a fim de cumprir o embarque previsto. É fundamental que haja planejamento e disciplina no processo, pois isso dá maior confiabilidade ao modal e melhora a pontualidade das escalas.

Os principais itens, no processo de cabotagem  do embarcador,  do armador ou ainda do terminal portuário são:

Embarcador

  • Pedido de cotação;
  • Reserva de espaço no navio: previsão de disponibilidade do contêiner vazio;
  • Liberação do contêiner vazio:  sua disponibilidade e agilidade na liberação;
  • Estufagem na fábrica/armazém;
  • Documentos corretos: nota fiscal, destino, recebedor da carga;
  • Transporte e entrega no porto – filas, greves, cumprimento de prazos para carga e documentos.
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Armador e terminal portuário

  • Resposta da cotação e confirmação da reserva ou booking;
  • Planejamento da operação: sequenciamento no pátio, plano de carga, prazos do terminal marítimo;
  • Processo documental e legal: emissão CTe, Siscarga entre outros.

Os benefícios do uso da Cabotagem são muitos, começando por economia, sustentabilidade energética, ambiental e social além da segurança e redução de perdas e avarias.

Significa entrar numa nova rotina e trabalhar o estoque em trânsito considerando o tempo de viagem do navio incluído o tempo necessário para a carga chegar até o porto de embarque e ao cliente final após a descarga no porto de destino.

O esforço vale a pena, principalmente nas longas distâncias em que, por força de legislação e custos, o transporte rodoviário se tornará mais oneroso e terá aumentados os prazos de entrega.

Clara Rejane Scholles

Sócia diretora da Pratical One, empresa de tecnologia e consultoria para a logística de cargas. Formada em Comércio Exterior e pós graduada em gestão pelo Insper São Paulo. Profissional da área de navegação, logística e porto tendo exercido em 14 anos na Maersk Brasil, entre outras, as funções de diretora comercial e gerência geral de produto (estratégia e precificação) para todos os tráfegos globais a partir do Brasil, Argentina e Uruguai. Gerência comercial para a Santos Brasil por 3 anos. Por isso conhecedora de parte dos desafios logísticos nos diversos segmentos de cargas de norte a sul do Brasil, Uruguai e Argentina. E-mail: rejane.scholles@praticalone.com e blog.praticalone.com.

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